Um pouco mais sobre o software que está mudando aquilo que se vê
Públicado originalmente no caderno Alt da Gazeta do Paraná em 24 de Maio 2008.
O Photoshop é como uma caixa de ferramentas. São diversas peças ali dentro que você pode utilizar de acordo com o que você vai fazer. Então ele é sempre um meio, e não um fim. Existem várias formas de fazer o equilíbrio de cores de uma imagem, a regulagem de níveis de iluminação - uma necessidade de qualquer fotógrafo. O Photoshop é um recurso que este profissional pode dispor hoje em dia. Através dele, consegue-se fazer isso de várias formas. Recorte de cabelo, outro exemplo, sempre foi um trauma para quem trabalha com tratamento de imagem. Recortar o cabelo de uma modelo para aplicar num fundo específico - um cromaqui; fio por fio, mascarando, tratando, recortando, tudo isso sempre foi um processo trabalhoso e demorado. Na versão CS2 do Adobe Photoshop isso já veio mais facilitado. No CS3 ficou melhor ainda, onde facilmente identificamos três opções de recorte de cabelo. Existem várias maneiras de fazer a mesma coisa e cada um tem o seu método e sua técnica. Uma das principais alterações da versão CS3 é que o software se tornou muito leve. Ele é pequeno e rápido. É um caso raro na indústria informática onde costumamos observar justamente o contrário – as versões mais novas são mais pesadas. Ficou um software bastante ágil.
Dentro da área específica de tratamento de imagem uma das coisas que se pode trabalhar é a maquiagem digital, uma necessidade das publicações impressas da atualidade. Praticamente nenhuma imagem é publicada hoje em uma revista, jornal ou qualquer outro veículo de comunicação sem um tratamento prévio no Photoshop. Isso não desmerece o trabalho do fotógrafo, como alguns ainda imaginam, mas sim, complementa e agiliza sua atividade. Na verdade, o trabalho do fotógrafo se ampliou, pois além da produção fotográfica ele vai trabalhar com o tratamento da imagem em um software. Por que? Porque é mais rápido e, sendo mais rápido se torna mais barato. Em muitos casos é muito mais rápido corrigir a luz ou a invasão de uma cor no software do que preparar todo o ambiente para a fotografia.
Quanto tempo se tem para isso? Principalmente nos jornais diários, publicações semanais ou mensais, onde os prazos são extremamente curtos e as imagens são mais factuais. No jornal impresso se o fotógrafo não captura a imagem no momento exato do acontecimento, seu trabalho já não serve mais para a matéria. - Humm… pense num disparo de arma de fogo no meio da multidão. - Será que a luz está suficientemente boa para uma fotografia? Já foi. Qualquer correção pode ser feita na redação, pois o que importa para esse profissional é o momento. Pense em fotos de casamento, onde o grande valor da imagem está em capturar as emoções reais daquele instante. É ali que as máquinas digitais, que mesmo com seus recursos automáticos, quase entram em curto ao ajustar o contraste de um terno preto do noivo com o vestido branco da noiva. E no auge da festa, todos se divertindo, dançando e a maquiagem já foi embora quando o flash dispara. Nem sempre o difusor consegue salvar o reflexo do suor na pele, estourando a luz na testa, nariz e bochechas.
O que fazer? Photoshop nelas! Claro, como com qualquer instrumento deve-se ter bom senso no tratamento, para não abusar e deixar a imagem muito artificial, caso contrário uma pessoa passa a ter o aspecto de uma boneca de plástico. Por isso , técnicas de desenho são de grande importância. O profissional que usar o Photoshop tem que ter noções de luz, cor, sombra, contraste, profundidade, perspectiva. São operações que o software não executa sozinho, mas que dependem dos conceitos que o profissional por trás da máquina pretende expressar.
Na área de tratamento e manipulação de imagem existe uma demanda muito grande por profissionais. Profissionais que estão escassos. Para quem quiser entrar no mercado vai a dica: aprender a mexer no programa é bastante simples, até porque é um software bastante popular pelas possibilidades que ele oferece para alteração de imagens. Alguns casos polêmicos colaboraram para sua popularidade, como a imagem publicada por um grande portal digital brasileiro do acidente do vôo 3054 da TAM, onde uma pessoa saltava da laje do prédio em chamas, descoberto depois que era uma montagem, o portal teve que se retratar publicamente. Outro caso interessante foi o de uma revista masculina que na empolgação do artista em maquiar digitalmente a modelo nua, excluiu o seu umbigo. Essas situações foram amplamente divulgadas e discutidas em questões sobre a credibilidade da matéria, fidelidade de imagem, etc.
Essas questões, junto com a quantidade enorme de softwares piratas funcionando no mercado brasileiro, vêm ajudando a popularizar a atividade e cada vez mais pessoas mexem no Photoshop, mas quantos destes sabem usá-lo? O que pode ser feito? Até onde pode ser explorado? Existem possibilidades infinitas e quem melhor explora essas possibilidades é o verdadeiro profissional. Quem só sabe mexer só conhece o ferramental. É como usar um martelo para bater um prego – algo bastante simples, porém saber onde pregar é que faz a diferença do profissional.
As oportunidades de aplicação e uso no trabalho são bastante extensas. Uma série de mercados já exige o Photoshop como currículo básico, como o design gráfico, a publicidade, a fotografia, o jornalismo e até na medicina vem sendo utilizado. Conhecer profundamente as técnicas aumenta a produtividade e permite trazer a tona todo imaginário do criador.
Rafael Barzotto Spoladore é Designer Gráfico e professor de Publicidade & Propaganda e Jornalismo em instituições da região, e coordenador da Oficina de Photoshop no próximo dia 31 em Cascavel. Informações - rafael@spoladore.com.br
P.s. - O módulo II da oficina tá previsto para 05 de Julho de 2008 em Cascavel